
Por Maria Luiza Montejano Pedrosa
OBS: Este texto foi traduzido com uma ferramenta automática sem perder a essência da escrita e a importância do conteúdo apresentado. Leia a versão original em inglês já disponível na página principal.
Como seres humanos, nossos corpos estão constantemente passando por grandes mudanças, afetando não apenas a rotina diária à qual nos acostumamos, mas também nossa percepção de identidade e nosso estado emocional. Mas o que acontece quando circunstâncias inesperadas são adicionadas a esse ciclo interminável, retirando a capacidade de controle físico?

A Organização Mundial da Saúde publicou, em 2022, seu relatório global sobre equidade em saúde para pessoas com deficiência, que constatou que aproximadamente 1,3 bilhão de pessoas viviam com alguma deficiência significativa, representando, na época, 16,25% da população mundial. Embora uma versão atualizada do relatório ainda não tenha sido publicada, é indiscutível que esse número cresceu ao longo do tempo. Após a pandemia, estudos também identificaram um aumento nos sintomas de longo prazo da COVID-19, deixando muitos pacientes com sequelas e limitações causadas pelo vírus que mudaram drasticamente suas vidas. Tarefas simples podem se tornar insuportáveis; a independência, antes considerada um princípio fundamental, também desaparece. Adaptar-se a esse novo ciclo torna-se uma necessidade.
É inevitável questionar o que poderia ser feito para melhorar a vida dessas pessoas, que aprenderam a ser extremamente independentes, criando suas próprias comunidades e promovendo as mudanças que estavam cansadas de implorar à sociedade. A história do ativismo das pessoas com deficiência vai muito além da criação de legislações como o Estatuto das Pessoas com Deficiência, do reconhecimento pelas Nações Unidas ou mesmo do desenvolvimento de suas próprias roupas e da conquista de espaços que antes pareciam impossíveis ou simplesmente inacessíveis.

O que é acessibilidade?
Em termos gerais, acessibilidade é a prática essencial de garantir que ambientes físicos e digitais sejam projetados para que pessoas com diferentes habilidades possam se locomover e utilizá-los de forma livre e independente. Existem diferentes métodos e recursos que alcançam o mesmo objetivo: tornar as atividades cotidianas possíveis para todos.No mundo físico, isso pode se manifestar por meio de rampas que substituem escadas ou portas automáticas que se abrem sem esforço ao toque de um botão. Já no ambiente virtual, ferramentas como audiodescrição e legendas foram introduzidas e aprimoradas à medida que a internet evoluiu.
O termo “deficiente” (disabled) vem sendo utilizado desde meados do século XVIII, quando era definido como fraqueza ou incapacidade. Posteriormente, passou a ser associado a “uma condição física ou mental que limita os movimentos, os sentidos ou as atividades de uma pessoa; ou, como substantivo coletivo, o fato ou estado de possuir tal condição”, conforme definido pelo Oxford English Dictionary. Atualmente, o termo adquiriu um novo significado com o reconhecimento tanto das deficiências visíveis quanto das invisíveis, sendo acolhido por uma comunidade que recebe todos de braços abertos e respaldado pela legislação.
Embora as pessoas com deficiência sempre tenham existido, foi graças aos seus próprios protestos e mobilizações que seus direitos passaram a ser reconhecidos mundialmente. Historicamente, no Reino Unido, a luta pelos direitos das pessoas com deficiência remonta aos tempos feudais. Em uma Grã-Bretanha marcada pelo pós-guerras mundiais, programas de emprego e assistência social foram implementados para todos após a aprovação da Lei de Emprego para Pessoas com Deficiência de 1944, da criação do Serviço Nacional de Saúde (NHS) e da Lei de Assistência Nacional de 1948. Essas medidas deram início a uma nova onda de recursos de acessibilidade, como o programa “Articles for the Blind”, desenvolvido em parceria com os Correios Reais (Royal Mail), que oferece uma variedade de materiais em Braille — o sistema de escrita criado por Louis Braille para beneficiar pessoas com deficiência visual.
Nas décadas de 1980 e 1990, o currículo acadêmico também passou por profundas mudanças com a introdução da Língua de Sinais Britânica (British Sign Language) para estudantes surdos, após a implementação das Regulamentações de Construção para Pessoas com Deficiência de 1987. Esse processo de avanços culminou na Lei da Igualdade de 2010 (Equality Act 2010), que substituiu diversas legislações antidiscriminação por uma única lei abrangente.

No universo da moda, a acessibilidade pode ser incorporada tanto por meio de ferramentas práticas — como calçadores de cabo longo, ganchos para botões e bastões auxiliares para vestir roupas — que ajudam pessoas com dificuldades para se vestir com peças convencionais, quanto por meio do uso de roupas adaptadas. Em resumo, trata-se de “vestuário desenvolvido com modificações que facilitam o uso por pessoas que convivem com condições de saúde e deficiências. Essas adaptações têm como objetivo melhorar o conforto, a independência e a facilidade ao se vestir para pessoas que enfrentam desafios relacionados à mobilidade, destreza manual ou sensibilidade sensorial”, conforme explica Kerry Martin, responsável pelo lançamento digital da linha adaptativa da Primark.
Embora a varejista irlandesa de moda rápida (fast fashion) não tenha sido a primeira a incorporar a inclusão em seu catálogo — iniciativas semelhantes já haviam sido adotadas pela Marks & Spencer e pela Asda —, seu investimento representou um passo significativo para o setor varejista britânico, que frequentemente ficava atrás nesse aspecto. As peças foram desenvolvidas por Victoria Jenkins, fundadora da marca inclusiva Unhidden, cuja missão é “criar roupas elegantes e confortáveis, com características únicas que permitam à sua comunidade expressar-se por meio da moda, promovendo equidade para pessoas com deficiência e doenças crônicas”, como define a própria Jenkins.
Isso pode ser feito de diversas maneiras: por meio de ajustes personalizados ou da confecção sob medida de peças que se adaptem ao corpo de cada pessoa — um serviço que geralmente exige mais tempo, investimento financeiro e o trabalho de um profissional especializado em costura — ou pela compra de roupas adaptadas já prontas, que incluem modificações projetadas para facilitar o vestir e o uso diário por diferentes usuários. Pense em vestidos com dezenas de pequenos botões que foram transformados em modelos com abertura nas costas ou fechamentos de velcro de fácil manuseio; calças jeans com alças internas de tecido que auxiliam ao puxar e vestir a peça; blusas com fechamento transpassado, permitindo acesso a tubos, sondas ou outros equipamentos médicos sem a necessidade de remover roupas justas; e até calças confeccionadas com tecidos macios, pensadas para pessoas com sensibilidade sensorial.
Geisa Soveign, consultora de estilo pessoal, acumula anos de experiência trabalhando com clientes de diferentes perfis. Entre suas lembranças mais marcantes está o período em que colaborou com Samantha Bullock, fundadora da Bullock Inclusion, desenvolvendo soluções para tornar o ato de se vestir mais fácil no dia a dia, sem abrir mão do estilo pessoal. “Trabalhei com ela durante três anos. Seus desfiles eram focados na diversidade, então havia peças para pessoas plus size, peças especiais para pessoas com doença de Parkinson e muitos outros públicos. Ela trabalhava frequentemente com estudantes de moda. Lembro-me de que eles criavam roupas sem botões ou com botões magnéticos para pessoas que tinham dificuldade em fechar botões por causa da idade ou de alguma condição de saúde. As peças eram muito elegantes, mas sempre mantinham a funcionalidade.
Eles também criaram etiquetas com códigos QR para pessoas com deficiência visual. Assim, elas podiam usar o celular para obter informações sobre as roupas, como descrição da peça, tamanho e outras características, sem precisar pedir ajuda. O retorno foi muito positivo, especialmente entre pessoas que moravam sozinhas. Lembro-me de ouvirem relatos de pessoas que costumavam misturar todas as roupas na lavanderia e acabavam manchando algumas peças. Com os códigos QR, passaram a conseguir separá-las corretamente”, recorda Geisa com entusiasmo. Uma verdadeira pioneira, Samantha Bullock vem trabalhando desde 2020 com a missão de tornar a moda mais acessível para todos, promovendo eventos durante a Semana de Moda de Londres e campanhas online para ampliar o debate sobre essa questão tão importante.
Do vestuário casual ao traje de gala, a importância de ter roupas desenvolvidas levando em consideração o seu corpo e suas necessidades é um direito fundamental, pois vai muito além da qualidade de vida: está diretamente relacionada à forma como a pessoa se enxerga, à sua segurança e à sua autoestima.
A pressão de viver em uma sociedade que frequentemente exalta corpos magros — o que ajuda a explicar o aumento das vendas de medicamentos para perda de peso entre pessoas que nem sequer necessitam deles — gera consequências preocupantes. As mulheres, em especial, são constantemente julgadas por sua aparência física. Essa é uma realidade que Fernanda Parada Aleixo, criadora de conteúdo dedicada à conscientização sobre cirurgia bariátrica e recuperação pós-operatória, conhece muito bem.
“Tenho 44 anos e, por volta dos 22, comecei a ganhar muito peso. Eu vivia fazendo dietas extremamente restritivas, sempre começando às segundas-feiras e desistindo pouco tempo depois. Meu pai é endocrinologista, então a pressão se tornou intensa, não apenas por parte da minha família, mas também dos pacientes dele. Isso me frustrava tanto que comecei a tomar medicamentos por conta própria. Eu emagrecia, mas o efeito rebote voltava com toda força. Mudei-me para Londres, onde a cultura da magreza extrema é muito forte, e comecei a sofrer bullying por parte do meu chefe. A situação chegou a tal ponto que encontrei um hospital na Turquia pelo Instagram e, em menos de um mês, já estava realizando a cirurgia”, relata.
“Um ano após a cirurgia e os tratamentos complementares, precisei aprender a conviver com a imagem corporal distorcida e com as consequências do procedimento. Perder 80 quilos deixou um grande excesso de pele. Hoje, depois de quatro anos, lido muito bem com isso e faria tudo novamente sem hesitar. Eu tinha me esquecido de como era entrar em uma loja e escolher roupas de que gostava, em vez de simplesmente comprar aquelas que serviam. Parei de sentir vergonha quando os vendedores me diziam que não tinham peças do meu tamanho. Voltei a me sentir bonita, a me arrumar e a perceber que a maneira como as pessoas me tratavam havia mudado”, continua.
Embora seja comum associar as roupas adaptadas exclusivamente a pessoas com limitações físicas, deficiências ou outras condições que afetam o corpo e a sensibilidade, também é justo reconhecer que, em algum momento da vida, todos os seres humanos podem se beneficiar desse tipo de vestuário.
As roupas adaptadas incluem não apenas peças destinadas a pessoas com deficiência, mas também roupas para gestantes, aventais hospitalares, vestimentas para recuperação pós-operatória e roupas desenvolvidas para idosos. Invenções amplamente utilizadas por todos, como o zíper — criado em 1913 — e o velcro, desenvolvido por George de Mestral em 1941, demonstram como soluções inicialmente pensadas para facilitar tarefas específicas acabam beneficiando a sociedade como um todo. No entanto, no contexto da moda adaptativa, esses recursos assumem um papel ainda mais importante. Eles representam peças fundamentais desse quebra-cabeça da acessibilidade, mas a questão vai muito além de simples mecanismos de fechamento ou praticidade no vestir.
Do hospital às passarelas: a fascinante história da moda adaptativa
Desde o início, na década de 1950, as roupas adaptativas surgiram por necessidade e estavam principalmente associadas a hospitais que registravam um aumento de internações durante e após a Segunda Guerra Mundial, o que deixou tanto pacientes feridos quanto com deficiências. Tudo mudou quando Helen Cookman, uma das designers mais respeitadas da época, em colaboração com o New York University Medical Center e Muriel E. Zimmerman, escreveu um livro intitulado Functional Fashions: A Guide for the Physically Handicapped em 1961, quando o termo ainda era considerado tabu. Ela realizou extensas pesquisas com a unidade de Medicina Física e Reabilitação, que recebia inúmeras cartas e solicitações de pacientes e familiares pedindo ajuda. Foram criados designs especiais para auxiliar nas dificuldades diárias enfrentadas por eles, como modelos de vestidos e saias com aberturas frontais e laterais para facilitar o acesso e o fechamento. Em seu lançamento oficial em 1961, mais de 35.000 pessoas correram para fazer encomendas, levando Virginia Pope e Cookman a fundarem a Clothing Research and Development Foundation em 1962.

Mais tarde, a roupa adaptativa deixou de ter uma rotulagem estritamente médica, à medida que marcas como Unhidden, The Able Label e Intotum — especializadas em peças adaptativas como casacos ajustáveis adequados para usuários de cadeira de rodas, vestidos com aberturas em velcro e jeans com fechos de gancho, entre outros itens — passaram a se destacar. Era apenas uma questão de tempo até que grandes marcas como Tommy Hilfiger e Anthropologie lançassem suas próprias linhas adaptativas, incorporando designs semelhantes sem perder sua identidade e herança, porém em uma faixa de preço mais elevada, enquanto marcas como Asda, Primark e Amazon entravam no mercado com opções mais acessíveis. É uma nova era para a moda, na qual as marcas se preocupam em produzir roupas com tecidos hipoalergênicos e em abrir centros de controle de qualidade com especialistas em diferentes tipos de sensibilidade. Embora hoje existam mais alternativas do que nunca no Ocidente, essas iniciativas nasceram do desejo de melhorar e de criar roupas que não sejam apenas usáveis, mas também bonitas.
Para Thirza Phillpot, que possui hipermobilidade que afeta a biomecânica das pernas e dos pés, tornando desconfortável o uso de calçados comuns, “Para ficar o mais confortável possível, preciso encontrar sapatos extra largos. Geralmente, ao buscar orientação no NHS ou em serviços musculoesqueléticos (MSK) sobre fontes de calçados extra largos, eles me direcionam apenas para catálogos de empresas que fornecem sapatos muito largos para pessoas com diabetes cujos tornozelos incham, e, portanto, esses sapatos não são adequados para mim”, relata. “Os sapatos disponíveis nesses catálogos eram em sua maioria muito feios. Tão pouco atraentes que eu não conseguia me obrigar a comprá-los”, acrescenta. Esse é um problema enfrentado por muitas pessoas ao longo dos anos, já que a roupa adaptativa carregou por muito tempo o estigma de ser apenas funcional ou confortável, sem ainda ser estilosa — algo com o qual Rosa Maria Braz Genova, uma apaixonada por moda desde sempre, se identificava.
Limitado, mas inacessível
Embora muito tenha sido feito no desenvolvimento de roupas adaptativas — que hoje, mais do que nunca, se distanciaram do vestuário estritamente hospitalar e passaram a incorporar mais estilo —, há um problema evidente relacionado à acessibilidade financeira dessas peças, que frequentemente são bastante caras quando comparadas à moda de rua. Um estudo recente realizado pelo Research Institute of Disabled Consumers mostrou que 36% das pessoas com deficiência consideram as roupas adaptativas caras, uma resposta comum entre um público que chega a pagar £40 por uma blusa sem costas feita de tecido jersey pesado.
A narrativa apresentada pela maioria das marcas é a de que as adaptações necessárias para produzir uma peça adaptativa aumentariam o custo de produção, já que ferramentas adicionais como zíperes e velcro custariam mais do que botões ou outros materiais normalmente utilizados. Isso acaba apenas justificando o comportamento recorrente de exclusão dessa comunidade e de uma grande parcela do mercado que busca ter suas necessidades atendidas de uma vez por todas. Quando essas necessidades não são supridas, essas pessoas acabam recorrendo ao que já está disponível, que geralmente são peças neutras, focadas principalmente no conforto e com pouca criatividade ou estilo. No fim, um mercado monopolizado perpetua esse ciclo interminável de exclusão e cobra preços exorbitantes por essas peças.

O vestuário especializado de nível hospitalar é caro por envolver conhecimento médico especializado, mas também prejudica a experiência de milhões de usuários, afetando seu senso de estilo e personalidade. Esses dispositivos também vêm com um preço elevado, o que os torna inacessíveis para muitas pessoas. “Quando eu estava passando por dificuldades financeiras, eu não conseguia pagar por isso e simplesmente usava, de forma bastante insatisfeita, coisas que podia pagar, como chinelos da Poundland”, diz Phillpot.
Após muitos protestos e pedidos, outras marcas de fast fashion, como a Anthropologie, passaram a incluir uma linha de roupas adaptativas. Com preços que variam de US$ 26 a US$ 398, a faixa é semelhante a outras coleções e se encaixa razoavelmente no mercado de moda acessível. O problema surge quando se observa o site da marca no Reino Unido, que possui um número significativamente menor de opções, com apenas duas peças em comparação às 59 peças diferentes disponíveis para compra nos sites dos Estados Unidos e do Canadá.
Existem, de fato, opções mais baratas disponíveis em redes de supermercado como a Asda, com a linha George que oferece peças a partir de £3. Noah Robin, um criador de conteúdo de 20 anos, já vivenciou algumas dessas questões e fala com entusiasmo sobre roupas adaptativas: “Tenho muita dificuldade para me vestir tanto fisicamente quanto em termos de energia, então roupas adaptativas fazem uma grande diferença para mim. Também tenho dificuldade de coordenação motora fina, então botões são muito difíceis, por isso tenho um acessório para botões que é muito útil. Roupas e cadeiras de rodas são um grande problema; algumas calças simplesmente não ficam bem, e não consigo alcançar os bolsos porque ficam nos cantos das minhas proteções laterais, jaquetas soltas ficam presas nas rodas, pode ser um pouco caótico, honestamente”, compartilharam.
Sem dúvida, os itens mais procurados na linha adaptativa da Primark, com 49 peças, foram os tops e calças modificados para usuários de cadeira de rodas. Um resultado há muito esperado após tantos anos, que deixou Amy Silverston bastante interessada: “Eles têm uma linha extensa de roupas para pessoas em cadeira de rodas que parecem bastante boas, por exemplo, o fleece masculino com zíper que é curto o suficiente para não subir quando sentado. Com certeza vou dar uma olhada na próxima vez que estiver na Oxford Street. Acredito que a qualidade das roupas da Primark nem sempre é muito boa, mas são muito baratas, então vale a pena considerar. Com esses preços, eles poderiam dominar o mercado”, comentou.

Com bastante experiência na área da moda adaptativa, Silverston testemunhou muitas mudanças na indústria desde que passou a ser direcionada para roupas adaptadas. “Tenho esclerose múltipla progressiva secundária. Isso afetou tudo. Minhas pernas não funcionam, então estou permanentemente em uma cadeira de rodas. Tenho muito pouca destreza manual restante. Uma cuidadora precisa me vestir e me despir, portanto preciso de roupas que possam ser colocadas e retiradas por alguém que esteja sentado em uma cadeira. Em termos de praticidade, isso significa que o acesso às coisas nas minhas costas é limitado. Tente vestir uma jaqueta estando sentada em uma cadeira com as costas encostadas nela. Você quer se levantar ou pelo menos colocar as pernas no chão para se estabilizar e se mover até a borda da cadeira. Eu não consigo fazer isso. Depois, tente fazer isso com braços que não querem se levantar acima da cabeça e que não esticam corretamente”, disse ela.
Evidentemente, ela já viu de tudo quando se trata de roupas adequadas e é experiente o suficiente para compartilhar suas melhores descobertas, em sua maioria da Able2Wear, como um “poncho de fleece para uso em cadeira de rodas em clima levemente frio. Muito mais longo na frente do que atrás, então não se acumula atrás de você, mas mantém o corpo aquecido na parte frontal até a altura dos joelhos”, ou um “poncho para scooter de mobilidade. Um equivalente inteligente e incrivelmente barato de uma capa impermeável para alguém em cadeira de rodas, £15 na Argos. Bom para vestir quando o que você precisa é algo à prova d’água e de vento”, compartilhou.
Mas às vezes ela também se vê fazendo uma avaliação menos positiva de um produto: “A capa impermeável com forro de fleece, supostamente para aquecimento. Um item ridículo, ela tem apenas comprimento até o cotovelo, então seus braços ficam frios e molhados. Tive que mandar fazer um par de protetores de braços impermeáveis e forrados de fleece para combinar com ela, que custaram cerca de £35. Eles afirmam no site que ela pode ser usada sobre o poncho de fleece, que é pelo menos 30 cm mais longo.”

Outra loja popular que entrou nesse cenário nos últimos 30 anos foi a M&S, com uma equipe dedicada ao desenvolvimento de tops pós-cirúrgicos por meio da linha Fashion Targets Breast Cancer, que já ajudou a arrecadar mais de £15 milhões para a instituição de caridade Breast Cancer Now. Além de ser uma causa nobre, essa iniciativa também beneficia milhares de pessoas no Reino Unido que enfrentam um tratamento que impacta profundamente o corpo e a mente.

Thereza Cristina Sandrini, uma sobrevivente que precisou lutar contra a doença por mais de 27 anos, compartilhou o quanto foi difícil encontrar roupas nas fases pós-operatórias: “Descobri meu problema de saúde aos 21 anos, quando estava grávida do meu filho e entrando no terceiro trimestre. O diagnóstico foi câncer no útero, estômago, fígado e parte dos intestinos. Depois que meu filho nasceu, o tratamento começou. Minha primeira cirurgia foi a retirada da vesícula, que afetou 10% dos meus pulmões e 5% dos meus intestinos, o que, somado ao meu corpo recente de pós-parto, deixou as cicatrizes na parte inferior do meu abdômen evidentes. Eu não podia usar calças com cós elástico, porque ficavam apertadas demais e raspavam nas minhas cicatrizes, nem nada feito de algodão, porque me deixava muito quente e suada, o que causava coceira na pele. Eu tive que adaptar minhas roupas às minhas necessidades, porque minhas roupas normais ficavam presas nos pontos, que na época ainda estavam totalmente externos”, relatou.
“Em 2012, vivi um dos momentos mais difíceis da minha vida ao tentar encontrar um vestido de noiva que não fosse apenas confortável, mas que também coubesse por cima da cinta que eu precisava usar. Decidimos optar por um vestido com aparência de corset e com as costas mais altas. Os sapatos ainda eram um problema, já que, na época, não existiam sapatos ortopédicos que não me causassem dor, então comprei o par mais confortável que encontrei e, ainda assim, ele só trouxe mais problemas depois que um dos meus pinos saiu do lugar porque eles não eram confortáveis o suficiente. Olhando as fotos agora, não fico satisfeita com o resultado porque não era isso que eu queria. Você sonha por anos e anos, planejando o dia mais importante da sua vida e, no fim, eu dei o meu melhor com o que tinha na época, mas não era o que eu desejava”, continuou ela.

Quando se trata de design, os cursos de moda certamente têm feito um esforço para lidar com a questão da falta de materiais de ensino nas faculdades e universidades que se concentram exclusivamente em acessibilidade e moda adaptativa. Mas, mesmo que o tema seja abordado e considerado pelos professores, não há treinamento suficiente nesses cursos por diversos motivos, como o tamanho reduzido do mercado que o vestuário adaptativo ocupa ou os custos envolvidos. Isso é abordado por James Hunting, professor sênior de Fashion Textiles e vice-chefe de Design da London Metropolitan University, que destaca a importância de incorporar essas ideias ao currículo.
Com uma nova geração de designers e profissionais da moda entrando na indústria, há muito a ser ajustado em todos os lugares. Do design às lojas, frequentemente existe um problema que vai além do papel, já que muitas lojas são bastante inacessíveis, especialmente para usuários de cadeira de rodas, que lidam com elevadores fora de funcionamento, pisos de loja com espaços estreitos e limitados, itens pendurados muito alto e fora de alcance — tudo resultado da falta de planejamento adequado por parte de visual merchandisers e planejadores de loja. Um erro evitável que pode prejudicar a experiência de clientes como Rosemeire Maciel da Silva, que precisa lidar com problemas semelhantes como usuária de cadeira de rodas toda vez que compra um novo guarda-roupa.
Assim como dezenas de milhares de sobreviventes, Rosemeire contraiu o vírus da poliomielite ainda jovem e ficou em cadeira de rodas desde então. No Brasil, de onde ela é, o vírus foi oficialmente erradicado desde 1985 após uma grande campanha de vacinação, já que o país chegou a registrar o maior número de casos em 1975, com mais de 36.000 pacientes notificados.
Mídia, Diversidade e Representação
Na última década, uma nova onda de ativismo e de demandas por representação surgiu de diversas formas, impulsionada pela popularização das redes sociais, que oficialmente passaram a fazer parte da vida da pessoa comum. Movimentos sociopolíticos que aumentaram a conscientização e promoveram mudanças significativas, como o Black Lives Matter, que destacou a brutalidade policial e o racismo, o Stop Funding Hate, que atuou contra a retórica anti-imigração na mídia britânica, e o Ice Bucket Challenge, que ajudou a arrecadar mais de 115 milhões de dólares para a Fundação ALS em 2014, entre outros. À medida que a maior parte da população passou a utilizar a internet e a descobrir o poder de ter uma plataforma para expressar suas opiniões a um público mais amplo, as discussões sobre a falta de representação de corpos plus size e de pessoas com deficiência na indústria da moda tornaram-se um tema popular online, com milhões de usuários em diversos sites condenando as ações de marcas que nunca se preocuparam com esse público consumidor.
Muitas vezes, as pessoas tendem a acreditar que a moda é apenas sobre corpos, mas isso não passa de uma visão limitada. A moda é arte, é um artesanato da mais alta ordem que conecta a alma à matéria física, transcendendo o próprio tempo. Se o amor está nos detalhes, a moda está em cada costura, assim como em cada estudante, tecelão, costureiro e comprador. Ao retirar de pessoas de todos os tipos de corpos a oportunidade de serem representadas por modelos nos desfiles e campanhas mais importantes da moda, a indústria transmite a mensagem de que não valoriza aqueles que não atendem aos seus padrões, que historicamente não são diversos.

For content creator Luke Mantle, who was born with Congenital Diaphragmatic Hernia, which left him with a collapsed chest, the act of making videos as his drag persona Taya Mwah came as a way to channel all of his creative interests into one place. Recently, he found great success after going viral for a humorous video of him placing a shiny speaker in his chest dip that got him 11.2 million views and thousands of comments. Not just an overnight sensation, Mantle shared how he got the idea and the effect it had on his life.
Quando questionado sobre seus sentimentos em relação a uma cirurgia corretiva, ele foi claro ao dizer que não tem interesse, já que seus médicos o aconselharam: “Se você fizer isso, vai ser puramente estético agora, e eu não me importo com isso”, explicou. “É uma forma estranha de ver, mas se eu te perguntasse: ‘Você quer se livrar do seu braço?’, você diria que não. Eu tenho um apego estranho a isso, então não me importo”, continuou.
Ter uma plataforma onde você pode ver pessoas como você vivendo e se apresentando é essencial; isso ajuda a reduzir o estigma de uma condição e mostra que existe uma vida plena para alguém que pode ser tão criativo e profissional quanto qualquer outra pessoa.
Uma figura histórica, a famosa ativista da acessibilidade e fundadora da Tilting the Lens, Sinead Burke, promoveu uma mudança significativa durante a maior noite da moda ao garantir, pela primeira vez, que houvesse uma rota acessível para cadeiras de rodas pelos famosos 63 degraus que levam ao Metropolitan Museum of Art. Em colaboração com o Costume Institute, Burke ajudou a criar um trajeto pela entrada da 81st Street que fosse adequado para qualquer pessoa que não pudesse subir escadas, mas que ainda assim quisesse participar do tapete vermelho. Como afirmou Burke: “As escadas que levam ao Met são um lembrete constante e muito visível de que, para muitas pessoas com deficiência, o Met Gala não é para elas”, disse ela em um e-mail, conforme relatado pela Forbes. “Gostaria de trabalhar com vocês para ver se uma solução pode ser encontrada para garantir que pessoas com deficiência possam comparecer ou, no mínimo, aspirar a comparecer”, acrescentou.

Em uma era bastante triste, do que parece, o fim dos meios de comunicação físicos de todos os tipos, revistas impressas têm visto uma queda significativa na produção, já que muitos títulos, como Glamour e Marie Claire, estão migrando totalmente para o digital, enquanto outros seguem com versões exclusivamente online de suas edições mensais. Desde maio de 2023, a British Vogue deu um passo em direção à acessibilidade ao produzir sua primeira versão em braille de sua revista impressa, que continua sendo oferecida em todas as edições desde então, mediante solicitação por e-mail, além de uma versão em áudio disponível online em seu site oficial. Isso se tornou uma norma em títulos clássicos, mas ainda não chegou às revistas mais jovens que focam em um modelo de negócio inteiramente digital, baseado em ferramentas como aumento de fonte e audiodescrição. Muitas publicações estão disponíveis de todos os gêneros; infelizmente, das 26 opções em braille oferecidas pelo Royal Institute for the Blind, nenhuma é voltada para moda.
Com o crescimento de campanhas de marketing criadas por inteligência artificial da Balenciaga e da Gucci, surge claramente um novo método de substituição de modelos reais feitos de carne e osso e, à medida que a tendência de corpos cada vez mais magros ressurge, o resultado se mostra preocupante para o marketing digital e para a representação.
Impacto da Inteligência Artificial
O recente desenvolvimento de ferramentas baseadas em inteligência artificial tem provocado grandes mudanças e controvérsias em relação à veracidade e à precisão de seus resultados, além do medo evidente em relação às futuras oportunidades de emprego em áreas criativas e artísticas. Shivani Sundar, estrategista de design e designer de produtos de IA, compreende o poder das máquinas, mas afirma que os humanos ainda mantêm o controle e devem fazer bom uso delas: “A IA pode ajudar a acessibilidade de várias formas, mas nós, como seres humanos, devemos ensinar à IA o que significa acessibilidade; a IA pode traduzir automaticamente discursos complexos em tempo real, os óculos Meta AI podem informar uma pessoa cega sobre o que ela não consegue ver, a IA pode ajudar a adaptar e-mails para públicos com preferências específicas de tom e pode aumentar a produtividade, eliminar tarefas repetitivas e melhorar a tomada de decisão em várias indústrias.”
Ainda assim, ferramentas como o aplicativo Be My Eyes, que conecta mais de 9 milhões de voluntários com visão ao redor do mundo a pessoas cegas ou com baixa visão por meio de uma simples chamada, podem melhorar a vida de alguém e facilitar tarefas do dia a dia, como se vestir ou fazer maquiagem. No setor de beleza, isso também pode ser observado em dispositivos como o Colorfeel, da Bruna Tavares, que descreve em áudio as tonalidades dos produtos de maquiagem para auxiliar melhor a rotina do usuário.
Embora exista a percepção de que a IA assumirá nossas vidas em breve, quando se trata de arte há um limite claro que ela não consegue ultrapassar, já que o computador ainda não aprendeu a replicar algo que apenas os humanos possuem: a verdadeira paixão. É justamente isso que motiva James Hunting, que já viu todos os tipos de ferramentas e mudanças serem introduzidas na indústria da moda, mas garante que nada supera o simples toque humano.
Exposição Design e Deficiência
Como uma das principais capitais da moda, Londres é famosa por sediar muitos dos eventos mais interessantes e disputados ao longo do ano. Após a abertura do Victoria and Albert Museum em 1852, o museu se tornou uma das galerias estatais mais importantes e modernas do país.
Em 1913, um novo capítulo foi adicionado à sua rica história, quando recebeu a primeira exposição voltada à moda, Talbot Hughes’ English Costume, um precursor de um futuro muito mais bem-sucedido que se estendeu ao longo dos anos em diferentes mostras, como a exposição Design and Disability, que ocorreu de 27 de junho de 2025 a 15 de fevereiro de 2026. Apresentando uma impressionante variedade de obras de designers, pintores, cineastas e ativistas com deficiência, o museu ajudou a aumentar a conscientização sobre os problemas persistentes que o mundo enfrenta em relação à acessibilidade e à sua falta. Havia certamente algo para todos os gostos.

Shivani Sudar compartilhou seus destaques inesquecíveis: “Lembro de ter visto uma caixa de armazenamento de madeira que era fixada na parede da cozinha com um mecanismo para abrir e fechar. A ideia era guardar cebolas e batatas em uma prateleira que abria e fechava bem ao lado da área de preparo dos alimentos. Achei essa uma ideia inovadora e interessante, especialmente para pessoas de baixa estatura.”
O interessante foi observar como o layout da exposição diferia de outras mostras que não tinham um foco específico em inclusão, como a exposição Schiaparelli: Life Becomes Art, que substituiu a mostra em março. O público certamente ficou impressionado com seus vestidos belíssimos e com as informações aprofundadas, mas o trabalho de iluminação e a fonte pequena deixaram um gosto amargo na boca de alguns visitantes.
Lei de Oferta e Demanda
Em sua essência, o marketing se baseia no impacto emocional e psicológico que exerce sobre os consumidores, e a relação com o tempo pode ser vista como uma união quase unilateral de interesses. São fatos básicos da economia: se a demanda dos consumidores aumenta, a produção cresce; mas se a demanda cai ou o mercado é considerado menos lucrativo, a produção é reduzida e os preços disparam. No setor de luxo, a lógica é lucrar com a qualidade dos materiais e do artesanato, produzindo uma quantidade reduzida de itens que são valorizados na faixa de preço mais alta, por serem considerados exclusivos.
Esse tema é estudado por profissionais como a Dra. Nastaran Richards-Carpenter, professora sênior e coordenadora do curso de Fashion Marketing and Business Management, que afirma que “Não há como separar marketing de psicologia, especialmente quando se trata de moda e luxo”, e explica o processo de neuromarketing.
Embora a realidade de muitas pessoas talvez nunca influencie a vida daqueles que não atendem às suas necessidades, há uma responsabilidade absoluta que essa indústria carrega de criar e servir a todos, sempre que houver demanda. Mas, do ponto de vista empresarial, existe uma alta procura por moda adaptativa no estado atual do mercado? A linha adaptativa da Primark, desenvolvida em parceria com a designer Victoria Jenkins, é um exemplo importante de uma marca de fast fashion que não apenas consegue produzir em massa e vender esse tipo de vestuário modificado em larga escala, mas também o faz a um preço acessível.
Do ponto de vista dos produtores, a demanda do consumidor precisa existir para que a produção se mantenha ativa, o que se torna difícil quando o dilema é necessidade versus desejo. Se o público quer, deveria haver necessidade, mas não é tão simples assim, já que nesse contexto o consumidor ativo impulsiona mudanças que podem significar aumento de custos para manter a viabilidade do produto. Além de manter uma relação consolidada com produtores e fornecedores no setor de luxo, Lise Edwards-Warrener atuou em diferentes áreas da indústria da moda ao longo de sua carreira de 25 anos.
Antes de assumir seu cargo atual como Vice-Presidente de Operações de Pronto-a-Vestir e Planejamento de Supply Chain, ela explicou a complexidade dessa questão e garantiu que “Nada é impossível. Tudo é possível. É só uma questão de tempo e do estoque de matérias-primas enquanto você tenta encontrar uma forma eficiente de fazer isso. E, se isso se tornar algo modular, em que você basicamente monta uma peça, provavelmente ela não será tão confortável ou esteticamente agradável, porque esse é justamente o objetivo do processo: ser mais inclusivo”, afirmou, explicando também como isso já foi feito anteriormente.
Embora seja compreensível, o argumento de que não há demanda por moda adaptativa e, portanto, não há necessidade de produzi-la, é simplesmente reducionista e injusto; ele serve como justificativa para a falta de interesse das marcas e coloca pessoas com deficiência em segundo plano, transmitindo a mensagem de que não são valorizadas pela indústria da moda, o que faz com que toda uma comunidade se sinta excluída. Isso teria um impacto imenso; poderíamos correr o risco de perder toda uma geração de artistas criativos, designers e consumidores que deveriam ser valorizados tanto quanto qualquer outra pessoa em um mundo que muitas vezes é hostil às suas necessidades.
A acessibilidade não é uma tendência, mas uma necessidade — uma demanda pela qual se luta há muito tempo, quando na verdade deveria surgir diretamente de uma vontade genuína de inclusão.
Em alguns momentos, essa comunidade sente como se estivesse sendo ouvida, mas não vista, flutuando em um mar de desculpas e promessas abandonadas de um futuro brilhante e acessível que nunca realmente chegou. Ao produzir uma coleção de peças básicas que não estão disponíveis para compra em todas as lojas, muitas vezes apenas em sites, as empresas reduzem e limitam os indivíduos a estilos sem personalidade, o que não apenas diminui sua expressão individual, mas também gera insegurança e limitações criativas.
Ao permitir a participação de profissionais com deficiência no design, na produção e no varejo, há a chance de dar poder a essa comunidade e resolver esse problema por meio do uso de ferramentas que muitas vezes já existem e passam despercebidas por pessoas que não precisam de adaptações específicas, mas que poderiam se beneficiar delas no futuro. Existe uma solução clara e viável para tornar a moda acessível a todos: garantir que profissionais especializados em acessibilidade sejam incluídos em todos os processos, desde designers com deficiência até modelos plus size e todos os demais perfis entre esses extremos.
Até que a indústria da moda seja acessível para todos, ela continuará inalcançável para as próprias massas que a financiam.
Este texto foi traduzido com uma ferramenta automática sem perder a essência da escrita e a importância do conteúdo apresentado. Leia a versão original em inglês já disponível na página principal.


Leave a comment